
O 12º Círculo Sagrado Anglicano Indígena, da Igreja Anglicana do Canadá, teve início no dia 5 de agosto, na Universidade de Calgary, com um chamado à humildade e ao serviço comunitário feito pelo arcebispo nacional indígena, Chris Harper.
Com o tema “Resurgence Beyond the Treeline”, o encontro reuniu cerca de 150 lideranças anglicanas oriundas de comunidades tradicionais, de diversas regiões do Canadá, além de representantes do Sínodo Geral, parceiros ecumênicos, convidados internacionais e lideranças locais. A nossa bispa primaz, Marinez Bassotto, foi uma das convidadas.
Em sua pregação de abertura, o arcebispo nacional indígena Chris Harper destacou que cada pessoa é chamada por Deus a exercer um ministério único em favor da comunidade: “Somos chamados à humildade, à oração, porque somos chamados a servir. Estamos aqui para lembrar, para celebrar quem somos como povo de Deus e para construir uma nova comunidade juntos”, afirmou.

Um momento histórico de mudanças
O encontro ocorreu em um tempo de transição para a Igreja Anglicana do Canadá, marcado pela recente eleição do arcebispo Shane Parker como novo Primaz da Igreja. Em sua homilia durante a Festa da Transfiguração, Parker recordou a trajetória do Covenant de 1994, quando anglicanos e anglicanas indígenas firmaram seu compromisso de formar uma comunidade autônoma dentro da Igreja Anglicana do Canadá.
Tradições e espiritualidade indígena
O encontro foi aberto com o acendimento do fogo sagrado, que permanece aceso ao longo dos dias como símbolo de comunhão. Também foram realizadas danças tradicionais powwow e a dança circular, expressões espirituais que trouxeram profunda espiritualidade às atividades que viriam a partir dali.
Debates sobre governança
Um dos pontos centrais do encontro foi a reflexão sobre governança da Igreja indígena, conduzida pelo arcediago Travis Enright, presidente do Conselho Anglicano de Povos Indígenas (ACIP). Ele apresentou propostas para substituir o atual sistema de representação, baseado nas províncias eclesiásticas, por um modelo de “Conselhos Espirituais do Fogo”, organizados segundo territórios históricos, línguas e águas.
Apesar do debate intenso, os membros decidiram manter temporariamente o modelo provincial para a eleição do novo ACIP, ao mesmo tempo em que preparam a transição para a estrutura baseada nos 12 Council Fires.
Eleição de nova liderança
No dia 9 de agosto, foi eleito o novo Conselho Anglicano de Povos Indígenas (ACIP), que assumirá a tarefa de aprofundar a autogovernança e preparar as mudanças estruturais. Entre os novos membros estão a revda. Sheila Cook e Bruce Charlie (B.C. e Yukon), o arcediago Jacqui Durand e o rev. Amos Winter (Northern Lights), além de representantes de Ontário e da Província do Canadá.
Caminho para o futuro
Para muitos participantes, o Círculo Sagrado continua a ser um espaço fundamental de afirmação da identidade indígena dentro da Comunhão Anglicana. Como afirmou o bispo Morris Fiddler, do norte de Ontário: “Não buscamos separação, mas queremos ter voz na Igreja Anglicana do Canadá. Já avançamos muito, mas ainda há um longo caminho pela frente.”
O 12º Círculo Sagrado encerrou suas atividades em 10 de agosto, reafirmando o compromisso de caminhar em unidade, valorizando a diversidade cultural e espiritual dos povos indígenas e fortalecendo sua autonomia como Igreja Anglicana Indígena no Canadá.
Fotos: Reprodução da Igreja do Canadá