Nota da CIPDHCR e da Câmara Episcopal da IEAB sobre a CPI das ONGs

Sobre CPI das ONGs que atuam na “Cracolândia” da Câmara de Vereadores da Cidade de São Paulo

  “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mateus 5.11-12).
A Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo e a Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil vem, por meio desta, se manifestar em repúdio à realização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) direcionada especialmente a atingir o trabalho solidário que há décadas vem sendo realizado pelo Padre Júlio Lancellotti através da Pastoral de Povo de Rua na cidade de São Paulo.
Este trabalho solidário também tem denunciado a política “higienista” perpetrada tanto por governos municipais quanto estaduais em São Paulo que apenas busca “varrer” das ruas milhares de pessoas vítimas da miséria, da falta de políticas públicas ou da sua implementação efetiva e da desigualdade e discriminação em todas as suas formas. O Padre Júlio Lancellotti, que vive cotidianamente a realidade junto a todas as pessoas excluídas e discriminadas, também tem alçado sua voz profética contra a “aporofobia” (ódio contra as pessoas pobres), a exclusão de pessoas pobres LGBTQIA+, a xenofobia e o racismo, além da solidariedade contra o genocídio do povo palestino. Todos estes posicionamentos proféticos estão em pleno acordo como os princípios manifestos na Constituição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em defesa da dignidade humana e dos direitos humanos em geral.
Constatamos que as “CPIs” vem sendo, em diversos níveis, usadas para atacar movimentos populares, organizações da sociedade civil (ONGs) e pessoas que estão comprometidas com a justiça, a paz e a integridade da criação. Por isso, entendemos que é nossa obrigação expressar nossa completa solidariedade à Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica Apostólica Romana na cidade de São Paulo e ao Padre Júlio Lancellotti em especial, assim como nos colocar contra aquelas pessoas que exercendo mandatos populares usam de suas prerrogativas para perseguir quem defende os direitos das pessoas mais discriminadas e excluídas de nossa sociedade.

Marinez Rosa dos Santos Bassotto
, Bispa Primaz e da Diocese Anglicana da Amazônia
Maurício Andrade, Diocese Anglicana de Brasília
Francisco Assis da Silva, Diocese Sul-Ocidental
Humberto Maiztegui Gonçalves, Diocese Meridional
João Câncio Peixoto, Diocese Anglicana do Recife
Eduardo Coelho Grillo, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Meriglei Simim, Diocese Anglicana de Pelotas
Francisco Cézar F. Alves, Diocese Anglicana de São Paulo
Magda Cristina Guedes Pereira, Diocese Anglicana do Paraná
Clovis Erly Rodrigues, Emérito
Almir dos Santos, Emérito
Celso Franco, Emérito
Jubal Pereira Neves, Emérito
Filadelfo de Oliveira Neto, Emérito
Saulo Maurício de Barros, Emérito
Renato da Cruz Raatz, Emérito
Naudal Alves Gomes, Emérito