Curso “Raízes do Futuro” fortaleceu ação da IEAB na salvaguarda da Criação e preparou caminho para a COP30

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), com apoio da USPG e ERD, por meio do Grupo de Trabalho de Justiça Ambiental e das coordenações do Centro de Estudos Anglicanos (CEA) e do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD), realizou neste ano o curso “Raízes do Futuro: formação em bases teológicas e científicas para a ação e influência no mundo de Deus”.
A formação reuniu participantes de diferentes denominações religiosas, com predominância de anglicanos e anglicanas de países de língua portuguesa da Comunhão Anglicana. O objetivo foi aprofundar a relação entre fé cristã, crise ecológica e compromisso transformador.
Inspirado nas Cinco Marcas da Missão da Comunhão Anglicana, o curso abordou ecoteologia, justiça socioambiental, mudanças climáticas, biodiversidade, racismo ambiental e práticas comunitárias de cuidado com a Criação. O nome “Raízes do Futuro” expressou a proposta de unir sabedorias ancestrais e esperança diante dos desafios contemporâneos.

Preparação para a COP30

A iniciativa fez parte das ações da IEAB voltadas para a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP30), que acontecerá em 2025, em Belém (PA). Por ocorrer na Amazônia brasileira, a COP30 terá importância estratégica e a IEAB pretende estar presente com ênfase nas vozes das juventudes, dos povos tradicionais e das comunidades vulnerabilizadas.
O curso dialogou diretamente com o chamado da Comunhão Anglicana à Salvaguarda da Criação e com compromissos globais como as Florestas da Comunhão e outras iniciativas do Anglican Communion Environmental Network (ACEN).

Conteúdo e dinâmica

A programação contemplou desde conceitos básicos de desenvolvimento sustentável até temas como mitigação, adaptação, resiliência, mudanças climáticas, economia circular, bioeconomia e financiamento de projetos socioambientais. O conteúdo foi distribuído em encontros virtuais semanais e quinzenais, com momentos de aprofundamento teórico, espiritualidade e oficinas de elaboração de projetos.
Ao final, os participantes iniciaram ou revisaram projetos que seguirão em monitoramento por seis meses, com possibilidade de envolver mais pessoas das comunidades e dioceses.

Fé e mobilização

Para Guilherme Ramos, integrante do GT de Justiça Ambiental e facilitador do curso, “Raízes do Futuro é uma expressão concreta do nosso chamado à vivência da igreja quanto à ecologia integral. Diante do colapso climático e da destruição da biodiversidade, queremos afirmar que a fé cristã também pode ser força de resistência, cuidado e reveladora da nossa integração e interdependência com a Criação.”
Com cerca de 40 concluintes, o “Raízes do Futuro” deixou como legado não apenas conhecimento técnico e teológico, mas também uma rede de pessoas mobilizadas a agir pela justiça socioambiental, integrando fé e compromisso profético diante da crise climática.