Quilombo do Rio Preto – Tocantins: Nota de Repúdio

Nota de Repúdio às Violações de Direitos Humanos e Socioambientais no Quilombo do Rio Preto – Tocantins

A Articulação de Organizações que compõem o Tapiri Ecumênico e Inter-religioso e outras Organizações de Direitos Humanos vêm, por meio desta, manifestar veemente repúdio diante das inúmeras violações de direitos que vem sofrendo sistematicamente e solidarizar-se com a Comunidade do Quilombo do Rio Preto, localizada no município de Lagoa do Tocantins (TO). Somamo-nos a esta comunidade em suas reiteradas denúncias e cobramos das autoridades competentes ações efetivas que interrompam imediatamente o esbulho de suas terras e as ameaças contra a vida das famílias que ali residem.
A comunidade registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil denunciando a empresa Lagoa Dourada por crime ambiental e continuidade da prática de esbulho possessório. De acordo com o registro policial, no dia 30 de setembro de 2025, funcionários da referida empresa, utilizando uma retroescavadeira, invadiram o território quilombola e cometeram crime ambiental no brejo conhecido como Brejo Seco, lançando entulhos com a clara intenção de intimidar a comunidade. O material foi depositado de forma a tentar tornar o local transitável para veículos, em uma ação de constrangimento e ameaça aos moradores. 
Este ato infringe a sentença judicial que proíbe expressamente a empresa Lagoa Dourada de praticar qualquer ato de esbulho possessório contra os quilombolas, bem como de adentrar ou intervir na área da comunidade, sob pena de multa diária de R$ 1.000,00 (mil reais), demonstrando um descumprimento flagrante da decisão judicial.
O quilombo Rio Preto é território que guarda a ancestralidade negra no Tocantins há séculos e vem sofrendo diversos ataques violentos desde 2019. Lembramos que as violações de Direitos Humanos e socioambientais vêm se intensificando desde 2023, quando houve o reconhecimento do território quilombola pela Fundação Cultural Palmares.
As diversas violências enfrentadas pelos moradores do Quilombo se manifestam de forma recorrente, por meio de casas incendiadas, colheitas destruídas por tratores, intimidações e ameaças contínuas por parte de pessoas contratadas por grileiros. Inclusive visitas intimidatórias e tentativas de criminalizar a comunidade, através de uma aplicação distorcida da legislação ambiental, que visa aplicar punições sobre a manutenção das próprias roças tradicionais da comunidade. Nem mesmo as crianças são poupadas, pois a escola da Comunidade foi fechada e o transporte escolar não chega em todas as localidades do quilombo para levá-las na escola do município mais próximo, forçando que muitas delas andem cerca de 1 km até a estrada. 
Como é recorrente, em diversas comunidades quilombolas, as violações de direitos se acirram à medida  que a comunidade avança no processo de titulação de seu território tradicional, com o início dos estudos técnicos pelo órgão fundiário. Assim, diante desse cenário gravíssimo, reivindicamos que o processo de titulação das terras do Quilombo Rio Preto seja garantido e se realize de forma breve para pôr fim a essas violações de direitos. Sugerimos agilidade da Polícia Federal na investigação das denúncias; enfatizamos a necessidade de atenção ao caso pela Justiça Federal e consequente resposta aos pedidos do Ministério Público Federal – MPF e da Defensoria Pública da União – DPU. 
Neste ano, em que o Brasil sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, reivindicamos que a Comunidade Quilombola do Rio Preto, território ancestral da amazônia brasileira, tenha seus Direitos garantidos e que seus violadores sejam denunciados e responsabilizados, a fim de que as famílias desta comunidade possam, finalmente, viver em paz em seu território tradicional.
Articulação de Organizações que Compõem o Tapiri Ecumênico e Inter-religioso e outras Organizações de Direitos Humanos.
  1. Aliança de Batistas do Brasil 
  2. Articulação de Mulheres Indigena Kokama do Amazonas – AMIKAM
  3. Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil – AMDH
  4. Associação Alternativa Terrazul 
  5. Associação Comunitária Shanenawa de Morada Nova 
  6. Casa Pérolas Negras
  7. Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Pe. Marcos Passerini
  8. Centro de Direitos Humanos de Cristalandia Dom Heriberto Hermes
  9. Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès
  10. Centro de Estudos Ambientais – CEA
  11. Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Braz
  1. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
  2. Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos
  3. Coalizão Vozes do Tocantins por Justiça Climática
  4. Coletivo de Mulheres, Políticas Públicas e Sociedade – MUPPS
  5. Coletivo Feminista de Mulheres Negras do Tocantins, Ajunta Preta
  6. Coletivo Julho das Pretas Karen Luz / Araguaína -TO.
  7. Comissão Pastoral da Terra – Araguaína/Tocantins
  8. Comitê Dorothy Stang
  9. Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração
  10. Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs – CAIC 
  11. Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs – CEBIC 
  12. Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Tocantins- CEPIR / TO
  13. Conselho Nacional De Igrejas Cristãs – CONIC
  14. Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) da Bahia 
  15. Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE-
  16. Curso de História/PPGCULT/ProfHistória – UFNT
  17. Departamento de Advocacy, Direitos Humanos, Ambientais e Territoriais da Diocese Anglicana de Brasília
  18. Diocese Anglicana da Amazônia 
  19. Diocese Anglicana do Paraná- Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
  20. Empodere Sua Irmã – Articulação de Comunicação em Gênero – IEAB
  21. Enegrecer – Coletivo Nacional de Juventude Negra
  22. Federação das Religiões de Matriz Africana do Estado do Acre – FEREMAAC 
  23. Fundação Luterana de Diaconia – FLD
  24. Grupo de Capoeira Herança dos Pombais
  25. Grupo de Pesquisa em Etnopolítica, Pensamento Administrativo e História do Estado e das Instituições- EPAHEI
  26. Grupo de Saúde e Educação Popular Alvorada – Cuiabá – MT 
  27. Igreja Batista do Pinheiro
  28. Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Diocese Meridional
  29. Igreja Graça e Paz do Bengui 
  30. Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU)
  31. Igualdade Étnico-Racial e Educação – IERE – Programa de Pesquisa e Extensão da UFT
  32. Ìlé Àláketú Àsé Odé Inlé – Casa do Caçador 
  33. Ilé Asé Idasilé Opôm Oluayê
  34. Iniciativa das Religiões Unidas – URI 
  35. Instituto Aciyomi 
  36. Instituto Braços
  37. Instituto de Estudos da Religião – ISER
  38. Instituto Mulheres da Amazônia – IMA
  39. Instituto Nangetu de Tradição Afro e Desenvolvimento social 
  40. Instituto Rede Preta 
  41. Instituto Terra Direitos Direitos e Cidadania 
  42. Justiça , paz e integridade da Criação/Ofs Ordem Franciscana Secular JPIC/ OFS/ MINAS GERAIS
  43. KOINONIA –  Presença Ecumênica e Serviço 
  44. LAPOFRAN
  45. Movimento de Atingidos e Atingidas por Barragens – MAB AP 
  46. Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB 
  47. Movimento Estadual de Direitos Humanos e Ambientais do TO
  48. Movimento Kizomba
  49. Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH Brasil 
  50. Movimento Negro Unificado
  51. Núcleo de Estudos Rurais Desigualdades e Sistemas Socioecológicos
  52. Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de ALMEIDA (OLMA) 
  53. PAD – Processo e Articulação e Diálogo
  54. Para Todos Tocantins
  55. Paróquia Anglicana do Bom Pastor – Salvador -Ba
  56. Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Belém 
  57. PORTAL Francisco Cândido Xavier 
  58. Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura e Território – PPGCULT – UFNT
  59. REDA – Rede Ecumênica da Água 
  60. Rede Amazonizar
  61. Rede de comunicação Popular Socioambiental Árvore do Cordel
  62. Rede Eclesial Pan-Amazônica REPAM-Brasil
  63. Rede Escrevivências – Acre
  64. Rede Igreja e Mineria
  65. Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares de Alagoas – RENAP AL/PCB
  66. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
  67. SOS Corpo – Instituto Feminista para a democracia
  68. Teia – Carta da Terra Brasil 
  69. Terreiro de Candomblé Ile Ode Oya 
  70. Universidade Federal do Norte do Tocantins – UFNT