Bispa Marinez participa da Consulta Internacional da USPG, nas Filipinas

A USPG realizou, em Manila, nas Filipinas, a sua Consulta Internacional 2026, reunindo lideranças e representantes de diversas Províncias da Comunhão Anglicana. Entre as participantes estava a nossa bispa primaz, Marinez Bassotto, que também é bispa da Diocese Anglicana da Amazônia.
Realizada a cada três anos, a Consulta constituiu um espaço significativo de reflexão teológica global, partilha de experiências e fortalecimento de vínculos entre diferentes contextos de missão e ministério. Com o tema “Breaking the Chains of Injustice: Reimagining Missional Theologies Today” (Quebrando as Correntes da Injustiça: Reimaginando as Teologias Missionais Hoje), o encontro abordou de forma integrada três eixos centrais: linguagem, terra e legado.

Linguagem: fé, justiça e inclusão

As sessões formais tiveram início com orações e celebrações da Eucaristia, fundamentando os trabalhos em espiritualidade comum e comunhão. Um dos temas que nortearam as reflexões dos presentes foi o da linguagem, compreendida não apenas como instrumento de comunicação, mas como portadora de história, cultura e poder.
Um estudo bíblico conduzido pelo Rev. Prof. Jione Havea, da Igreja Metodista de Tonga, destacou que a linguagem ultrapassa a fala humana, abrangendo cultura, arte, ativismo e até mesmo a natureza. Ele ressaltou que a justiça envolve tanto palavras quanto ações, lembrando que o apagamento de línguas implica o apagamento de tradições, comunidades e expressões vivas de fé.
Painéis e debates trouxeram perspectivas diversas da Comunhão Anglicana, incluindo a experiência do bispo de Colombo, que relatou a importância de celebrar o culto em tâmil, cingalês e inglês, promovendo inclusão e acessibilidade. As conversas que se seguiram refletiam a importância da Igreja honrar a diversidade linguística de suas comunidades, mantendo a teologia e a missão enraizadas nas culturas locais e na experiência vivida por povos tradicionais.

Terra: identidade, justiça e cuidado com a Criação

Outro foco do encontro foi a questão do território, reconhecendo que fé, justiça e identidade são profundamente moldadas pelo lugar. Por meio de momentos de oração, reflexão bíblica e painéis globais, os participantes examinaram como a terra carrega histórias de pertencimento, cultura e sobrevivência.
A bispa Marinez compartilhou saberes dos povos tradicionais da Amazônia, descrevendo a terra como Tekohá — “o lugar onde somos quem somos”. Em sua contribuição, lembrou que o cuidado com a Criação é inseparável do cuidado com as pessoas, especialmente aquelas cujas vidas e identidades permanecem profundamente enraizadas no território.
As discussões também abordaram os impactos contínuos da desapropriação de terras, seja por heranças coloniais, pressões econômicas ou exploração ambiental. Destacou-se o papel profético da Igreja na defesa da justiça ecológica e na proteção da dignidade das comunidades afetadas.

Um compromisso renovado com a missão

Ao reunir experiências vividas, reflexão teológica e perspectivas locais da Igreja global, a Consulta Internacional da USPG contribuiu para moldar a compreensão contemporânea da missão.
O encontro fortaleceu laços na Comunhão Anglicana e apontou caminhos para uma liderança sensível às questões de linguagem, território e memória, em busca de uma Igreja cada vez mais comprometida com a transformação do mundo à luz do Evangelho.