
A Pastoral LGBT+ da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, em São Paulo, tem promovido encontros presenciais com o apoio do deão, reverendo Arthur Cavalcanti, como forma de criar espaços de escuta, acolhimento e diálogo em tempos de distanciamentos e desafios.
A iniciativa busca ir além das expressões cristãs, reunindo pessoas LGBTQIAPN+ e também pessoas aliadas, de diferentes espiritualidades que reconhecem a dignidade, os direitos e as experiências diversas aos modelos heteronormativos de sexualidade, identidade de gênero, família e religiosidade. Entre as cooperações frequentes está a do coletivo católico-romano MOPA – Movimento Pastoral LGBT+ Marielle Franco, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera.
No mês de setembro, dentro da campanha Setembro Amarelo, a Pastoral abraçou o tema da saúde mental, com foco na prevenção do suicídio e na importância do cuidado profissional, entendendo que pessoas LGBTQIAPN+ estão mais suscetíveis a esses sofrimentos, em razão de sua própria condição de minoria. Com a participação de especialistas como o psicólogo Eliwelton Batista, mestre pela USP com pesquisa sobre homofobia internalizada e autoestima, e a psicóloga Erica Furukawa, do serviço público de reabilitação e integrante da União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil (UMEAB), as pessoas presentes puderam refletir sobre ansiedade, depressão, integrar-se em redes de apoio e a necessidade de não enfrentar o sofrimento sozinhas.
“Não soltar a mão de ninguém, porque amando umas às outras, viveremos o amor de Cristo”, foi a mensagem reforçada ao longo da roda de conversa.
Mas propor espaços e momentos de espiritualidade e convivência tem sido a prática constante desta Pastoral. Em agosto, por exemplo, o encontro LGBTQ&Arte convidou representantes de diferentes expressões artísticas e destacou a importância da inclusão e valorização das minorias nos espaços das artes. Pessoas de diferentes perspectivas políticas e sociais puderam dialogar, e em um dos momentos mais marcantes, uma artista trans convidada defendeu o direito de fala e o respeito a uma mulher cisgênera com posicionamentos divergentes, e ambas compartilharam experiências religiosas como a espiritualidade mariana.
Ações como essa refletem o que a Igreja é chamada a ser: uma casa aberta, diversa e inclusiva. Isto é parte da missão do povo de Deus, como recorda o saudoso teólogo e clérigo Jaci Maraschin, que fez parte da história da Catedral: “igreja a gente vive com paixão, igreja é o povo de Deus em missão”.