No dia 28 de janeiro, a Catedral Anglicana de Brasília realizou uma roda de conversa necessária e urgente em celebração ao Mês da Visibilidade Trans e Travesti. O evento transformou o espaço da catedral em um ambiente de escuta ativa, acolhimento e desconstrução de preconceitos, focando na luta por direitos e pela existência plena de pessoas trans e travestis.
A mediação e facilitação dos diálogos ficaram a cargo de Tony Gigliotti Bezerra, escritore, Doutore em Sociologia pela UnB e membro da Catedral Anglicana de Brasília. Com sua expertise acadêmica e vivência comunitária, Tony conduziu o debate unindo a análise social à sensibilidade humana.
O encontro reuniu um painel diverso de pessoas que trouxeram diferentes perspectivas sobre a realidade trans no Brasil:
- Léo Serra: Servidor público de 54 anos e pai de três filhos. Co-fundador da Abrafh (Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas), Léo compartilhou a importância de ter redes de apoio para não viver os processos sozinhos. E acredita que as igrejas deveriam ser esses espaços de acolhida. “A fé não tem gênero”, afirmou.
- Mukaíla Manika: Defensora de Direitos Humanos para a População LGBTI+ e praticante de religiões de matriz afro, que trouxe reflexões fundamentais sobre importância da vida em comunidade. “Não é uma questão de que é o Deus certo, mas uma questão de acolher pessoas que não são alcançadas pelo Estado. É sobre como nos cuidamos.”
- Madu Krasny: Estudante de Letras (UnB), comunicadora e pesquisadora do Pajubá. Ativista dos direitos humanos, Madu contribuiu com a perspectiva da importância de que todas as pessoas tenham acesso a cidadania plena. “Quero deixar de legado que o Brasil saia do ranking de países que mais matam pessoas trans e ajudar a criar políticas públicas que permitam que a população trans tenha acesso à cidadania plena.”
A iniciativa da Catedral Anglicana de Brasília reforça o compromisso da comunidade com a justiça social e a dignidade humana. Durante o evento, foi enfatizado que a visibilidade só é efetiva quando acompanhada de compreensão, escuta e apoio real.
O evento foi encerrado com um sentimento de esperança, consolidando a Catedral como um ponto de diálogo aberto entre a espiritualidade e as pautas urgentes da sociedade civil.
Para o decorrer do ano de 2026 estão programadas mais rodas de conversa para debater assuntos importantes para a comunidade.

