Bispa Marinez destaca urgência do cuidado com a criação durante o ACC-19

A crise climática, a proteção da biodiversidade e o compromisso da Igreja com o cuidado da criação estiveram no centro das reflexões da 19ª reunião do Conselho Consultivo Anglicano (ACC-19), realizada nesta segunda-feira, 30 de junho, em Belfast, na Irlanda do Norte.

A sessão “Conversa Global sobre o Meio Ambiente” foi conduzida pela bispa primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), bispa da Amazônia e presidente da Rede Ambiental da Comunhão Anglicana (Anglican Communion Environmental Network – ACEN), Marinez Bassotto, em conjunto com Martha Jarvis, representante especial da Comunhão Anglicana junto às Nações Unidas.

Em sua exposição, a bispa Marinez destacou que a crise climática ultrapassa os impactos ambientais e representa também uma profunda crise espiritual. Segundo ela, os conhecimentos dos povos indígenas ajudam a compreender a delicada rede de interdependência que sustenta a vida, ao mesmo tempo em que denunciam os efeitos de modelos de desenvolvimento baseados na exploração predatória da natureza.

“Nossa fé nos chama a sermos vozes proféticas e ativas. Não podemos ser apenas espectadores diante da crise ambiental; precisamos ser agentes de transformação”, afirmou aos delegados do Conselho. A bispa também ressaltou a necessidade de ouvir as populações mais afetadas pelas mudanças climáticas, frequentemente as menos ouvidas nos espaços de decisão.

Ao longo da sessão, representantes de diferentes províncias da Comunhão Anglicana compartilharam iniciativas que unem espiritualidade, missão e compromisso ambiental. Foram destacados o trabalho da Rede Ambiental da Comunhão Anglicana, do Green Anglicans, da Rede Anglicana da Juventude e da Floresta da Comunhão, iniciativa vinculada à Anglican Alliance que incentiva igrejas de todo o mundo a restaurarem ecossistemas por meio do plantio de árvores e da conservação ambiental.

A reverenda cônega Dra. Rachel Mash apresentou, por meio de vídeo, a proposta da Festa da Criação em Cristo, celebração litúrgica dedicada à adoração de Deus como Criador e à renovação do compromisso cristão com o cuidado da criação.

Também participaram da conversa lideranças indígenas, representantes de pequenas nações insulares e jovens da Comunhão Anglicana, que compartilharam experiências sobre os impactos da degradação ambiental em seus territórios e iniciativas desenvolvidas pelas igrejas para promover a restauração da natureza.

Entre os testemunhos apresentados, a representante de Vanuatu, Ethel George, recordou a profunda relação de seu povo com as florestas, enquanto o arcediago Andrew Orr, da Igreja da Irlanda, relatou os desafios enfrentados em sua região diante do desmatamento e da poluição dos recursos hídricos. Ambos destacaram a Floresta da Comunhão como uma importante expressão de discipulado e cuidado com a criação.

O debate também abordou a atuação da Comunhão Anglicana nas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs). O bispo de Norwich, Graham Usher, convidou os participantes a refletirem sobre o conceito de “o suficiente”, relacionando o cuidado ambiental aos valores do Evangelho e à responsabilidade com as futuras gerações.

Encerrando a sessão, o bispo Jonathan Kabiru Kariuki, da Igreja Anglicana do Quênia, conduziu uma oração para que as parcerias fortalecidas durante o ACC-19 continuem impulsionando o testemunho da Igreja em favor da conservação ambiental e da justiça climática.

A reflexão reafirmou que o cuidado com a criação não constitui uma pauta periférica da missão da Igreja, mas integra o chamado cristão ao discipulado, à justiça e à esperança, convidando toda a Comunhão Anglicana a transformar oração em ação concreta diante da crise ambiental.