
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) sediou, entre os dias 10 e 12 de agosto, em São Paulo (SP), o Encontro de Bispas e Bispos Primazes e Secretárias e Secretários Gerais das Américas da Comunhão Anglicana. A iniciativa reuniu lideranças das Províncias anglicanas do continente em um momento de oração, diálogo, partilha de experiências e discernimento sobre os desafios e caminhos comuns da Igreja na região.
A reunião ocorreu a convite da Bispa Primaz Regional das Américas, a Reverendíssima Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Primaz do Brasil, e contou, pela primeira vez, com a participação conjunta de Primazes e Secretários e Secretárias Gerais das respectivas Províncias.
Pela IEAB, participaram a Bispa Marinez e a Secretária-Geral Christina Winnischofer.
Um encontro marcado pela escuta e pela diversidade
O primeiro dia foi dedicado ao acolhimento, à oração e à apresentação das diferentes realidades das Igrejas anglicanas nas Américas. A oração inicial foi presidida pelo Deão da Catedral Anglicana de São Paulo, Revmo. Arthur Cavalcante, seguida de um momento de apresentação, no qual cada participante compartilhou um pouco de sua trajetória, realidade e expectativas para o encontro.
Na sequência, Primazes e Secretários e Secretárias Gerais realizaram atividades em grupos separados, aprofundando questões próprias de seus ministérios e compartilhando experiências sobre a vida e a missão das Províncias.
A diversidade de contextos apresentados revelou também desafios comuns e possibilidades de cooperação. Para o Secretário-Geral da América Central, Ramón Ovalle, a experiência foi inspiradora justamente pela oportunidade de conhecer diferentes realidades.
“Foi inspirador ouvir diferentes realidades e experiências. Conhecer o que as províncias estão fazendo, a vida e a missão de cada uma, seus diferentes contextos e seus processos de fortalecimento. Ouvir nos ajuda a reconhecer situações que podem contribuir para encontrarmos caminhos para resolver problemas.”
Durante a tarde, os participantes também conheceram iniciativas da Anglican Alliance, que apresentou seu trabalho e suas ações junto à Comunhão Anglicana.
Diálogo sobre os desafios das Américas
O segundo dia começou com a Oração da Manhã e um estudo bíblico em grupos a partir de Atos 15.1-5, refletindo sobre resolução de conflitos, diálogo e o papel da oração na vida da Igreja. O momento também foi marcado por orações pelo povo colombiano, diante da tragédia provocada pelo terremoto no país.
Ao longo do dia, as plenárias reuniram novamente Primazes e Secretários e Secretárias Gerais para discutir questões relevantes para a região, entre elas migração, acolhimento de pessoas refugiadas, meio ambiente, enfrentamento à violência e juventude.
O Secretário-Geral da Comunhão Anglicana, Bispo Anthony Poggo, também participou do encontro e apresentou aos participantes os principais temas e encaminhamentos da 19ª reunião do Conselho Consultivo Anglicano (ACC-19), realizada em Belfast, na Irlanda do Norte, entre junho e julho.
As discussões apontaram para a necessidade de ampliar os espaços permanentes de diálogo e cooperação entre as Províncias. Entre as possibilidades levantadas estiveram a criação de grupos para intercâmbios on-line e a realização periódica de encontros entre Primazes.
Para o Secretário-Geral da Iglesia Anglicana de Sudamérica, Federico Tolley, a partilha das diferentes realidades foi marcada pela esperança: “Ouvimos sobre situações difíceis, mas havia sempre esperança por trás delas. Não havia um sentimento de derrota. Podíamos confiar em Deus. A mudança é uma constante.”
O Secretário-Geral da The Episcopal Church, David Chavez, também destacou o encontro como uma experiência “inspiradora e encorajadora”.
“Que a nossa diversidade seja o que nos une”
O terceiro e último dia foi dedicado à retomada da reflexão bíblica, à partilha conjunta e ao planejamento dos próximos passos. O objetivo foi transformar as conversas realizadas durante os três dias em caminhos concretos de cooperação entre as Províncias.
Para nossa Primaz, Bispa Marinez, a experiência reafirmou uma característica fundamental da Comunhão Anglicana: “Que a nossa diversidade seja o que nos une.”
A reunião foi encerrada com uma celebração eucarística com a participação de todas as pessoas presentes, em ação de graças e oração pelas diferentes Províncias e por sua missão no continente.

Um novo capítulo para a comunhão anglicana nas Américas
Ao final do encontro, os Primazes das Províncias anglicanas das Américas divulgaram uma Declaração Conjunta, na qual expressaram gratidão pelo encontro e reafirmaram o compromisso com a missão compartilhada da Igreja.
O documento destaca que as Províncias, embora profundamente diversas, compartilham desafios relacionados ao colonialismo, secularismo, polarização, migração, insegurança econômica e social, corrupção e mudanças climáticas.
Os Primazes também afirmaram a dignidade e os direitos dos povos indígenas, reconhecendo especialmente o papel dos povos originários como guardiões da Amazônia e vozes fundamentais na luta pela justiça climática.
A declaração ressalta ainda que a tradição anglicana chama a Igreja a encontrar unidade no serviço à missão de Deus e manifesta o compromisso de trabalhar conjuntamente, com responsabilidade mútua e esperança, em favor das pessoas e comunidades das diferentes Províncias.
O Encontro encerrou-se, assim, com a expectativa de que as relações fortalecidas em São Paulo se transformem em novas iniciativas de cooperação, diálogo e missão compartilhada em toda a região.
“Foi um tempo muito importante de oração, escuta e fortalecimento mútuo. Partilhamos as realidades de nossas províncias, aprofundamos nossos laços de fraternidade e discernimos como Deus nos chama a um testemunho comum mais forte nas Américas. Saímos daqui com prioridades comuns e caminhos concretos de cooperação, especialmente em temas como migração, juventude, mudanças climáticas, povos indígenas e formação. Oro para que Deus continue nos inspirando a responder aos desafios do nosso tempo, sendo presença reconciliadora e profética nas Américas”, avaliou a Bispa Marinez Bassotto.
