IEAB amplia uso do Godly Play na Educação Cristã

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) está ampliando a aplicação da metodologia Godly Play no âmbito da Educação Cristã. A iniciativa é encampada pelo Centro de Estudos Anglicanos (CEA), em parceria com a Secretaria Geral da Igreja, e busca fortalecer as possibilidades de trabalho com crianças e de formação na fé nas comunidades da Igreja.

A metodologia foi desenvolvida pelo teólogo e clérigo da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Jerome Berryman, a partir de décadas de experiências com diferentes grupos e em diálogo com os estudos de Maria Montessori. O Godly Play propõe uma abordagem baseada em experiências, narrativas, participação e liberdade, convidando as crianças a explorar histórias e elementos fundamentais da fé cristã.

De acordo com a reverenda Noilves Rosa, que está à frente do projeto aqui na nossa IEAB, o Godly Play pode ser compreendido como “um convite para brincar com Deus”. A metodologia trabalha com uma perspectiva de aprendizagem em espiral, na qual os conteúdos são retomados e aprofundados progressivamente, permitindo que novas experiências sejam acrescentadas ao conhecimento já construído.

A proposta conta com um conjunto de materiais reunidos no Guia Completo Godly Play, publicado pela Fundação Godly Play, composto por oito livros: um dedicado à fundamentação teórica e outros sete com histórias e propostas para serem trabalhadas com as crianças.

Uma experiência de formação

Noilves relata que sua participação em um treinamento de Godly Play foi uma experiência marcante, que descreve como semelhante a um retiro espiritual. “Foi uma experiência maravilhosa, foi como um retiro espiritual. Muito profundo, muitas respostas foram dadas a muitas perguntas que aguardavam respostas por mais de 20 anos”, afirma.

Para a reverenda, a experiência também representou o encontro com uma metodologia que dialoga profundamente com sua própria compreensão da Educação Cristã. “Eu sei que é essa metodologia que eu quero para trabalhar com crianças, porém reafirmo: é a metodologia que eu me encontrei e que eu desejo trabalhar.”

A ampliação do Godly Play na IEAB, entretanto, não significa estabelecer uma única metodologia para a Educação Cristã. Segundo Noilves, é importante preservar a liberdade de cada pessoa e comunidade para encontrar as abordagens que façam mais sentido para sua realidade. Como destaca Jerome Berryman, cada pessoa deve ter a liberdade de escolher aquilo em que se sente mais à vontade e que encontra maior significado para desenvolver o trabalho de Educação Cristã.

Nesse sentido, o CEA e a Secretaria Geral da IEAB pretendem contribuir para ampliar as possibilidades de formação e oferecer à Igreja ferramentas que possam ser apropriadas pelas diferentes comunidades, respeitando seus contextos e experiências.

“Godly Play é um convite para brincar com Deus”, resume a reverenda Noilves Rosa.

Experiências que marcam

A experiência com o Godly Play também tem despertado impressões positivas entre pessoas que participaram das formações e tiveram contato com a metodologia. Para o professor Wilson Feldens, de 76 anos, com 45 anos de experiência no magistério, o treinamento foi uma experiência especialmente marcante.

“Tenho 45 anos de magistério e nunca saí de um encontro desses tão impressionado positivamente como saí do encontro do Godly Play”, relata. Ele também recorda a reação de um participante com mais de 80 anos, com participação ativa na Igreja, que se emocionou profundamente ao ouvir a história do Advento apresentada por meio da metodologia. “Disse que nunca tinha visto ou ouvido a história do Advento daquela forma.”

A professora Rutilde Kruger também destaca a dimensão espiritual da experiência. Com quatro décadas de atuação na Educação e formação em Educação Ambiental, ela afirma que nunca havia participado de um curso semelhante.

“Depois de quarenta anos trabalhando com Educação, fazendo todo tipo de curso, nunca tínhamos visto um curso assim, com uma espiritualidade tão forte”, afirma. Para ela, um dos diferenciais está na possibilidade de que a criança construa o conhecimento a partir da experiência: “Não precisa saber de primeira; não tem correção. O conhecimento vem de dentro. Só precisamos da motivação exterior, do suspense, da curiosidade, do despertar da criança. Existe o respeito com cada um.”

Valéria Feldens, professora, também destaca o impacto da experiência.

“Foram dias inesquecíveis e, cada vez que conto a história desta forma, sentimos uma concentração e um sentimento diferente em quem vê e ouve”, relata.

A reverenda Gessi Datsch, por sua vez, relaciona a proposta do Godly Play aos desafios da primeira infância.

“Eu sempre fui uma grande admiradora deste método pedagógico de abordagem. Acredito que a solução para muitas dificuldades da sociedade está nas questões ligadas à primeira infância, e o que a metodologia propõe vai impactando com o olhar voltado para a primeira infância”, afirma.

Para a reverenda Neusa Valério, a metodologia também favorece a curiosidade e a participação das crianças.

“Como professora, sempre usei vários recursos e maneiras, porém senti com a metodologia o despertar da curiosidade, além de levar à interação da criança com a história.” Ela recorda uma experiência em sua comunidade, quando contou uma história diante de crianças e adultos. Ao final, uma jovem lhe disse: “É a primeira vez que respondo algo sobre o texto bíblico sem me preocupar com o certo ou errado. Sempre aprendi que tinha de dar a resposta certa.”