Justiça Ambiental: IEAB amplia formação, articulação e presença pública em defesa da Criação

Entre 2023 e 2025, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) ampliou e consolidou sua atuação na área de Justiça Ambiental, fortalecendo iniciativas de formação, articulação e incidência pública relacionadas ao cuidado com a Criação, à biodiversidade e às mudanças climáticas.

O trabalho é desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Justiça Ambiental, em articulação com diferentes setores da Igreja e com parceiros externos, tendo como referência a Quinta Marca da Missão da Comunhão Anglicana: “Lutar para salvaguardar a integridade da criação e sustentar e renovar a vida da terra.”

Ao longo do triênio, a pauta ambiental avançou de diferentes formas: a IEAB ampliou sua participação em redes nacionais e internacionais, construiu referências institucionais para a gestão ambiental, promoveu atividades de formação, acompanhou debates globais sobre biodiversidade e mudanças climáticas e fortaleceu sua preparação para a COP30.

2023: ampliação das redes e construção da pauta institucional

Em 2023, integrantes do Grupo de Trabalho de Justiça Ambiental mantiveram participação na Anglican Communion Environmental Network (ACEN), espaço de articulação da Comunhão Anglicana voltado às questões ambientais. A participação contribuiu para o intercâmbio de experiências e para aproximar a atuação da IEAB de debates internacionais relacionados à justiça climática, à conservação da biodiversidade e à proteção de comunidades e povos vulnerabilizados.

No âmbito interno, também foram intensificados os diálogos sobre a atuação ambiental da Igreja. Esse processo contribuiu para a construção das bases que posteriormente resultariam na Política Ambiental da IEAB.

2024: política ambiental, formação e biodiversidade

Um dos principais avanços de 2024 foi a participação do GT de Justiça Ambiental na elaboração da Política Ambiental da IEAB, aprovada pelo Conselho Executivo em setembro daquele ano. O documento passou a estabelecer princípios e compromissos institucionais relacionados à sustentabilidade, à justiça ambiental, às mudanças climáticas e ao cuidado com a Criação.

A formação também ganhou destaque. Ao longo do ano, foi realizada a série de encontros on-line “Esperançar e Agir com a Criação: Um Chamado à IEAB”, dedicada aos diferentes biomas brasileiros. A programação abordou o Bioma Marinho Costeiro, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Cerrado, o Pantanal, a Floresta Amazônica e o Pampa, além de momentos dedicados ao Tempo da Criação e de um seminário de encerramento.

A IEAB também esteve presente em espaços internacionais de discussão ambiental. Entre 24 e 30 de outubro de 2024, representantes participaram da COP16 da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), realizada em Cali, na Colômbia. A participação possibilitou acompanhar debates sobre conservação da biodiversidade, financiamento ambiental, povos indígenas e o papel das organizações religiosas diante dos desafios socioambientais.

2025: formação, gestão ambiental e preparação para a COP30

Em 2025, o trabalho avançou em duas frentes importantes: a formação e a construção de instrumentos para a gestão ambiental da Igreja.

Em abril, foi lançado oficialmente a Guia de Gestão Ambiental da IEAB, elaborado pelo Grupo de Trabalho de Justiça Ambiental. A publicação oferece referências para que comunidades e estruturas da Igreja possam incorporar práticas de cuidado ambiental à sua atuação cotidiana.

Outro destaque foi o curso “Raízes do Futuro: Formação em Bases Teológicas e Científicas para a Ação e Influência no Mundo de Deus”, realizado em parceria com o CEA – Centro de Estudos Anglicanos e com apoio da USPG. A formação reuniu 93 pessoas inscritas e trabalhou temas como ecoteologia, justiça socioambiental, biodiversidade, mudanças climáticas, bioeconomia, resiliência e elaboração de projetos.

A articulação também foi fortalecida com a realização, em São Paulo, do Encontro Presencial da Rede de Justiça Ambiental, que reuniu participantes para compartilhar experiências, fortalecer a atuação conjunta e preparar a Igreja para os debates relacionados à COP30.

Ainda em 2025, o Grupo de Trabalho liderou a formação do Comitê da IEAB para a COP30, articulando ações de mobilização, comunicação e formação. A participação da Igreja na conferência, realizada em Belém (PA), reforçou a presença anglicana nos debates sobre justiça climática, proteção da Amazônia e defesa dos povos tradicionais.

Uma agenda que se consolida na IEAB

As ações desenvolvidas ao longo do período mostram que a Justiça Ambiental passou a ocupar um espaço cada vez mais estruturado na atuação da IEAB. A criação e fortalecimento de redes, a elaboração da Política Ambiental, o Guia de Gestão Ambiental, as atividades de formação e a presença em espaços nacionais e internacionais de debate constituem diferentes dimensões de um mesmo compromisso: integrar fé, ciência, justiça social e cuidado com a Criação.

O trabalho realizado também amplia a capacidade das comunidades anglicanas de refletir sobre os desafios ambientais e transformar essa reflexão em ações concretas. Ao investir simultaneamente em formação, articulação, gestão e incidência pública, a IEAB busca fortalecer uma Igreja comprometida com a defesa da vida e com a construção de respostas aos desafios ambientais que afetam de maneira desigual diferentes povos e territórios.

A trajetória iniciada e fortalecida entre 2023 e 2025 deixa, assim, bases institucionais e formativas para a continuidade da atuação ambiental da Igreja, reafirmando que o cuidado com a Criação é parte integrante da missão anglicana.