Religiosos(as) candomblecistas, batuqueiros, umbandistas, cristãos (luteranos/as, católicos/as, anglicanos/as), bruxaria naturalista/esotéricos/as e representantes de fóruns e comitês junto com moradores da comunidade local, reuniram-se no interior de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, no dia 21 de março, para um ato inter-religioso como gesto de apoio e monitoramento de denúncias junto à comunidade do Ilê Ode Ase Erinlé.
Neste ano, no dia 21 de março, passou a ser comemorado o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, que passou a integrar o calendário nacional, pela Lei 14.519/2023. Infelizmente, na madrugada que antecedeu o evento, o Ilê Ode Ase Erinlé foi vítima de novo crime de intolerância religiosa, evidenciando a frequente violência com que as comunidades religiosas de matriz africana são expostas.
O momento contou com a partilha da história da religiosa, a leitura de manifestações de apoio, como “Carta Aberta à população de Santa Cruz do Sul, RS” que contém assinaturas de diferentes agentes de direitos do país e, ainda, foi possibilitado um momento de tributo e homenagens a ancestrais e proferidas intenções de amparo de diversos segmentos. O ato inter-religioso integrou a campanha dos 21 Dias de Ativismo contra o Racismo, que neste ano exalta a importância da democracia e da liberdade de crença.
Nos debates, além do apoio contínuo em diferentes frentes de ação, foi ressaltada a necessidade de efetivação de políticas públicas de enfrentamento à intolerância religiosa nas mais distintas esferas sociais, como institucionais, haja visto que o racismo estrutural e religioso é presente e necessita de respaldo legal, punição contra agressores e reparação jurídica das vítimas.

