Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+

BRASIL, 28 de junho de 2026
Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+

Neste Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o Centro Pedro Andrade de Estudos e Defesa de Direitos das Pessoas LGBTQIA+ reafirma que orgulho não é privilégio, exagero ou provocação. Orgulho é o direito de existir com dignidade, segurança, afeto, liberdade e verdade.

Celebrar o orgulho é reconhecer a coragem de tantas pessoas que, mesmo diante da violência, do preconceito, da exclusão familiar, do racismo, da transfobia, da lesbofobia, da bifobia e de tantas formas de discriminação, continuam construindo caminhos de esperança, cuidado e transformação social. O orgulho também é memória. Memória de quem abriu portas, enfrentou o silêncio, denunciou injustiças e sonhou com um país onde ninguém precise esconder sua identidade, negar seu amor ou abandonar sua própria história para sobreviver. É memória de vidas interrompidas pela violência, mas também compromisso permanente para que nenhuma morte seja tratada como estatística e nenhuma violação de direitos seja naturalizada.

O Centro Pedro Andrade nasce da convicção de que defender os direitos das pessoas LGBTQIAPN+ é defender os direitos humanos. É promover cidadania, fortalecer a democracia e reconhecer que toda pessoa deve ser respeitada em sua integralidade. Assumimos, de modo especial, o compromisso de enfrentar as violências vividas por pessoas LGBTQIAPN+ nos espaços de fé. Muitas pessoas foram feridas por discursos religiosos de condenação, expulsas de suas comunidades, constrangidas em nome de Deus, submetidas a práticas de exclusão ou levadas a acreditar que sua existência seria incompatível com a fé. Nenhuma tradição religiosa deve ser utilizada como instrumento de humilhação, medo, violência ou apagamento. A fé que se compromete com a vida não pode silenciar diante do sofrimento de pessoas LGBTQIAPN+. Igrejas, lideranças religiosas e comunidades de fé precisam reconhecer sua responsabilidade na construção de ambientes seguros, acolhedores, justos e verdadeiramente comprometidos com a dignidade humana.

Por isso, o Centro Pedro Andrade trabalha para produzir conhecimento crítico sobre diversidade e direitos humanos, fortalecer lideranças LGBTQIAPN+, combater o estigma e a discriminação, apoiar movimentos sociais e articular pontes entre sociedade civil, poder público e igrejas comprometidas com a justiça social. Acreditamos em uma fé que acolhe, em uma sociedade que protege e em instituições que garantem direitos. Não há justiça onde pessoas são expulsas de casa ou da igreja por serem quem são. Não há democracia onde corpos e identidades são alvo de violência. Não há dignidade plena enquanto pessoas LGBTQIAPN+ ainda precisam lutar diariamente pelo direito de viver, amar, crer e pertencer. Neste 28 de junho, renovamos nossa aliança com todas as pessoas, organizações, coletivos, famílias, igrejas e instituições que trabalham por um Brasil mais plural, seguro, solidário e livre de violências.

Também convidamos pesquisadoras, pesquisadores, estudantes, lideranças comunitárias, pessoas LGBTQIAPN+ e aliadas a apresentarem estudos, relatos, experiências e produções sobre diversidade sexual e de gênero, direitos humanos, espiritualidade, violência religiosa, acolhimento e inclusão nas comunidades de fé. De modo particular, reconhecemos a importância de pesquisas que analisem os avanços, desafios, práticas pastorais e experiências de inclusão no âmbito da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, contribuindo para que sua vocação histórica de defesa da dignidade humana se traduza, cada vez mais, em espaços concretos de pertencimento, cuidado e justiça.

Nenhuma pessoa deve ser diminuída, violentada, silenciada ou morta por ser quem é, por amar quem ama ou por viver sua identidade com verdade.

+ Mauricio José Araújo de Andrade, Bispo Diocesano.

Centro Pedro Andrade de Estudos e Defesa de Direitos das Pessoas LGBTQIA+
Diocese Anglicana de Brasília – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil