Encontro da Aliança Anglicana promove diálogo sobre participação e escuta

Entre os dias 13 e 15 de agosto, São Paulo recebeu o encontro “A Place at the Table: Reimagining Power Through Every Voice” (Um Lugar à Mesa: Reimaginando o Poder por meio de Cada Voz), promovido pela Aliança Anglicana (Anglican Alliance). A atividade reuniu cerca de 30 participantes de diferentes países, culturas e contextos para refletir sobre participação, escuta e formas mais inclusivas de exercício do poder. O encontro aconteceu na Catedral Anglicana de São Paulo, contando com a presença da nossa bispa primaz, Marinez Bassotto, além da secretária-geral, Christina Winnischofer.

Realizado como um projeto-piloto da iniciativa, o encontro proporcionou uma experiência imersiva de escuta, diálogo e discernimento, buscando criar espaços nos quais diferentes vozes possam ser ouvidas e reconhecidas, especialmente aquelas que muitas vezes permanecem à margem dos processos de decisão.

Ao longo da programação, participantes compartilharam experiências e refletiram sobre as relações de poder presentes nas Igrejas e nas comunidades, considerando quem é ouvido, quem participa dos processos de decisão e quem pode acabar sendo excluído. A proposta parte da compreensão de que muitos dos desafios enfrentados pelas comunidades estão relacionados também à forma como o poder é exercido e compartilhado.

Reimaginando o poder

A iniciativa A Place at the Table propõe uma jornada que parte da escuta profunda das experiências das comunidades para avançar na análise das relações de poder, na construção de alternativas e no fortalecimento da capacidade de ação coletiva.

A programação em São Paulo reuniu momentos de escuta, aprendizagem, diálogo e partilha de experiências, valorizando a diversidade de culturas, idiomas e contextos presentes entre os participantes. A intenção é que as comunidades possam reconhecer sua própria capacidade de transformação e construir caminhos de mudança a partir de suas experiências e saberes.

A reflexão também chamou atenção para pessoas cujas vozes são frequentemente silenciadas ou ignoradas, incluindo pessoas em situação de pobreza, mulheres vítimas de violência, povos indígenas e comunidades tradicionais, migrantes e refugiados, crianças, pessoas idosas e outros grupos marginalizados. A proposta é que a Igreja desenvolva uma capacidade cada vez maior de escutar antes de falar e de reconhecer a presença de Deus nas vozes que muitas vezes não são ouvidas.

A iniciativa também está relacionada à compreensão anglicana de que o poder, à luz do Evangelho, não deve ser exercido como dominação, mas como serviço, justiça, responsabilidade e promoção da vida em sua plenitude. Essa perspectiva foi reafirmada pelo Conselho Consultivo Anglicano (ACC-19), que reconheceu o A Place at the Table como um processo de escuta, reflexão e ação fundamentado na fé.

Uma Igreja que escuta

A participação da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) no encontro integra a presença da Igreja em uma iniciativa que busca fortalecer relações de cooperação e aprendizado dentro da Comunhão Anglicana.

O encontro em São Paulo também se insere em um período de intensa articulação da Comunhão Anglicana no Brasil. Antes do início do A Place at the Table, entre os dias 10 e 12 de agosto, São Paulo havia sediado o encontro de Primazes e Secretários Provinciais das Américas e do Caribe. As duas atividades, embora distintas, contribuíram para fortalecer os vínculos entre lideranças e comunidades anglicanas da região.

Ao reunir pessoas de diferentes países e contextos, o encontro reafirmou que a diversidade não precisa ser um obstáculo à comunhão. Pelo contrário, pode se tornar fonte de aprendizado, criatividade e transformação quando existe disposição para ouvir e reconhecer a experiência do outro.

O “A Place at the Table” deixa, assim, uma provocação para a Igreja: quem está à mesa, quem tem voz e quem ainda precisa ser ouvido? Reimaginar o poder significa também abrir espaço para que mais pessoas participem, contribuam e sejam reconhecidas como protagonistas na construção de comunidades mais justas, inclusivas e capazes de florescer.