“Fomos vítimas de profunda violência, mas não fomos derrotados”

Sob calorosos aplausos, o reverendíssimo Hosam Naoum, arcebispo anglicano em Jerusalém e primaz da Igreja Episcopal em Jerusalém e no Oriente Médio, discursou no Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, em 15 de julho. Como orador convidado no Sínodo Geral, o arcebispo Hosam compartilhou sua visão para a Igreja Episcopal em Jerusalém e no Oriente Médio e agradeceu a aqueles que têm orado e apoiado a Igreja em tempos de dificuldade.

Hosam refletiu sobre a missão da província, afirmando que “a diocese se estende por cinco países” e apoia “hospitais, clínicas, escolas, centros de reabilitação e pousadas” naquela região. “Estes são os nossos braços ministeriais, nos quais demonstramos a fé em Deus, ou a nossa fé em Deus, por meio da ação e do ministério de alcançar os desfavorecidos, curar os doentes e ensinar a reconciliação com paz e justiça, acolher peregrinos e oferecer esperança; estes são o cerne do nosso ministério”.

Ele agradeceu “pelas orações e apoio ao Hospital Ahli em Gaza, o único hospital cristão” na região. Este hospital histórico foi atacado diversas vezes durante a guerra e recentemente sofreu danos em seu pronto-socorro quando foi bombardeado no Domingo de Ramos. O bispo Hosam compartilhou que: “Apesar dessas incríveis dificuldades, que também incluíram a prisão injusta de alguns de nossos funcionários e a destruição de suas casas, e também há dois dias, um de nossos cirurgiões no hospital foi morto a caminho de casa, o hospital demonstrou notável resiliência enquanto continuamos comprometidos com o ministério de cura em Gaza.

“Sou grato pelas declarações da Câmara dos Bispos, que têm levado muito a sério nossa história como cristãos no Oriente Médio, e especialmente em Jerusalém.” O arcebispo Hosam falou de seu desejo de paz na região, de que o sistema de ajuda humanitária seja reformado e de que se ponha fim aos atos que se opõem às Convenções de Genebra. Ele afirmou que “os suprimentos médicos estão escassos. O sistema de distribuição de alimentos é horroroso, com três locais abertos uma hora por dia para dois milhões de pessoas.” Destacando o horror das restrições à ajuda humanitária em Gaza, ele observou: “Parece-me com Jogos Vorazes.”

“É urgente defender a adesão de Israel às Convenções de Genebra, visto que suas práticas atuais são inaceitáveis.” Ele reivindicou “nenhum bombardeio de hospitais, o levantamento do cerco, a restauração de suprimentos humanitários, incluindo alimentos e medicamentos, sob supervisão da ONU, nenhum ataque a civis, especialmente socorristas e equipe médica, e a libertação de todos os reféns e prisioneiros.”

O reverendíssimo Stephen Cottrell, arcebispo de York na Igreja da Inglaterra, liderou uma oração pelo arcebispo Hossam ao final de seu pronunciamento. “Pai, oramos pela paz de Jerusalém. Agradecemos a Deus pela fidelidade, amizade e ministério de nosso querido irmão Hosam. Clamamos a Ti por paz e justiça em nosso mundo e especialmente em Israel, na Palestina, em Gaza e em toda a região. Pedimos a direção do teu espírito, pela paz do teu mundo. Pedimos isso em nome de Jesus.”

Ataques a pessoal e serviços médicos, de emergência e humanitários têm sido frequentemente observados durante o conflito em Gaza. Israel aponta o uso de algumas instalações de saúde pelo Hamas como centros militares para justificar seus ataques como em conformidade com o direito internacional, que proíbe ataques a infraestruturas civis, a menos que tenham sido militarizadas. O hospital Al Ahli, administrado pela Igreja Anglicana, contestou a alegação de que era usado como centro de comando antes de um ataque recente e ainda não viu evidências que comprovem essas alegações.

O Rev. Don Binder, Capelão do arcebispo Anglicano em Jerusalém, na Diocese Episcopal de Jerusalém, declarou que o ataque ao cirurgião Dr. Ahmad Kandi foi “um ataque direcionado com drones” e pediu o fim imediato “desses ataques direcionados contra a equipe médica e a responsabilização daqueles que violam o status especial de proteção de que esses profissionais de saúde costumavam desfrutar sob o direito internacional”.

Em resposta à recente morte, a Diretora do Hospital Al Ahli compartilhou que a notícia da trágica morte do Dr. Ahmad Kandi foi “de partir o coração”. Ela prosseguiu: “Estou profundamente chocada e triste. O Dr. Ahmad não era apenas um colega, mas um verdadeiro humanitário, dedicado, corajoso e altruísta em seu serviço a outros. “Sua perda não é apenas uma ferida para aqueles que o conheceram e o amaram, mas também para toda a comunidade médica e humana a quem ele serviu com tanta integridade e compaixão. Que sua alma descanse em paz.”

A Embrace the Middle East, uma organização não-governamental cristã que combate a pobreza e a injustiça no Oriente Médio, descreveu o Dr. Ahmad como “um dos cirurgiões mais experientes de Gaza”. Afirmaram que ele “foi morto pelas forças israelenses quando voltava para casa após um plantão cirúrgico no hospital”. “Ao lamentarmos a morte do Dr. Ahmad, apelamos mais uma vez à proteção do pessoal e das instituições médicas, e aos líderes internacionais, para que pressionem por um cessar-fogo imediato.”

Veja aqui o pronunciamento do arcebispo Hosam no Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra.