IEAB inicia 36º Sínodo Geral com celebração de unidade, diversidade e comunhão

Delegações anglicanas de diferentes regiões do Brasil estão em Recife (PE) para a realização do 36º Sínodo Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB). O encontro, que acontece de 5 a 8 de novembro, reúne a Câmara Episcopal, pessoas delegadas das Dioceses, do Distrito Missionário e pessoas convidadas para um momento de celebração, discernimento e definição dos caminhos da Igreja para os próximos quatro anos.

A celebração de abertura aconteceu na noite desta quinta-feira, 05/11, às 19h e teve como um dos momentos marcantes o Ritual das Águas. Pessoas delegadas de cada Diocese e do Distrito Missionário trouxeram águas de lugares significativos de suas regiões, que foram reunidas em um mesmo recipiente. O gesto simbolizou a diversidade de territórios, culturas e experiências que compõem a IEAB e a unidade que nasce da comunhão em Cristo.

A imagem das águas também encontra expressão na Carta Pastoral da Câmara Episcopal, conduzida pela Bispa Primaz, Marinez Bassotto, durante a celebração. O documento destaca que a unidade da Igreja não exige o apagamento das diferenças: “Assim como diferentes rios atravessam diferentes terras e, ao encontrar-se, não precisam perder sua origem para formar águas maiores, também nós reconhecemos que nossa diversidade encontra em Cristo uma unidade que não anula diferenças, mas as reúne numa comunhão maior”.

Na sequência, a celebração prosseguiu com a Eucaristia e a bênção da Câmara Episcopal sobre as pessoas presentes, reafirmando a dimensão espiritual que orienta a vida e a missão da Igreja.

Missão, Reconciliação e Paz: chamado para a Igreja

Com o tema “Missão, Reconciliação e Paz”, inspirado na passagem bíblica de 2 Coríntios 5:18 — “Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação” —, o 36º Sínodo propõe uma reflexão sobre o papel da Igreja diante dos desafios do mundo contemporâneo.

Na Carta Pastoral, a Câmara Episcopal chama a atenção para um cenário marcado por guerras, polarizações, discursos de ódio, discriminação e devastação ambiental. Diante dessas realidades, o documento afirma que a reconciliação não pode ser entendida apenas como uma mensagem dirigida à sociedade, mas precisa começar na própria Igreja.

“Antes de anunciar a reconciliação ao mundo, a própria Igreja precisa deixar-se continuamente reconciliar por Deus”, destaca a Carta, que também convoca as comunidades a aprenderem a escutar, reconhecerem suas próprias feridas e tratarem as diferenças sem transformar divergências em motivos de exclusão.

O documento ressalta ainda que a paz cristã não pode ser confundida com o silêncio diante das injustiças. “Não existe verdadeira reconciliação sem verdade; não existe paz duradoura sem justiça; não existe cura sem reconhecimento das feridas”, afirma a Câmara Episcopal, ao destacar a responsabilidade profética da Igreja no enfrentamento da violência, do racismo, da discriminação, da violência de gênero e da destruição ambiental.

A Carta também propõe que o tema do Sínodo ultrapasse os dias de encontro em Recife e oriente a espiritualidade, a reflexão teológica, a formação, o planejamento, a ação pastoral e o testemunho público da IEAB nos próximos quatro anos.

50 anos da Diocese Anglicana do Recife

A realização do 36º Sínodo em Recife também marca um momento especial para a Igreja: os 50 anos de criação da Diocese Anglicana do Recife, instituída em 1976.

A Carta Pastoral reconhece a trajetória da Diocese, marcada pelo compromisso com o Evangelho, a busca pela justiça, a defesa da dignidade humana e a disposição de acolher e servir. O jubileu é apresentado como uma oportunidade de memória agradecida, renovação da esperança e discernimento de novos caminhos para a missão.

Organização dos trabalhos sinodais

Após a celebração de abertura e o momento de confraternização, aconteceu a primeira sessão sinodal, com a presença das delegações e o quórum estabelecido. A sessão foi dedicada à organização dos trabalhos, incluindo a definição das pessoas responsáveis e a distribuição das atribuições para as atividades que terão início nesta sexta-feira, 6 de novembro.

Ao convocar a Igreja para esse novo ciclo, a Câmara Episcopal reafirma, na Carta Pastoral, que a missão não é propriedade da instituição, mas participação na ação de Deus no mundo. O documento sintetiza essa perspectiva ao afirmar: “A Igreja não é salvadora do mundo. Deus é. A Missão é de Deus, a reconciliação é obra da graça de Deus e a paz é dom de Deus”.

O 36º Sínodo Geral segue até o dia 8 de novembro, com o desafio de transformar o discernimento coletivo em compromissos concretos para a vida da Igreja e suas comunidades em todo o Brasil.

Carta Pastoral

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