Onde a diversidade é acolhida, o amor floresce

Junho é um tempo em que muitas pessoas ao redor do mundo celebram o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, recordando conquistas importantes na luta por dignidade, respeito e direitos. É também uma oportunidade para refletirmos sobre o papel das comunidades de fé na construção de espaços seguros, acolhedores e comprometidos com o Evangelho de Jesus Cristo.

Como Igreja, somos chamados a reconhecer que cada ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Essa verdade fundamental nos convida a olhar para as pessoas não a partir de preconceitos, estereótipos ou exclusões, mas a partir da dignidade que Deus concede a toda a criação.

Ao longo da história, muitas pessoas LGBTQIAPN+ vivenciaram rejeição, violência e silenciamento em diversos espaços da sociedade, inclusive em ambientes religiosos. Essas experiências deixaram marcas profundas em histórias de vidas e nos desafiam a reexaminar nossas práticas, nossas palavras e nossas atitudes. O Evangelho nos convida continuamente à conversão, à escuta e à reconciliação.

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil tem afirmado, em sua caminhada, que a diversidade humana não é uma ameaça à comunhão, mas uma expressão da riqueza da criação de Deus. Quando acolhemos as diferenças com respeito e amor, testemunhamos de forma mais autêntica o Reino de Deus, que se constrói na justiça, na compaixão e na dignidade para todas as pessoas.

O tema “Onde a diversidade é acolhida, o amor floresce” nos recorda que o amor cristão não é abstrato. O texto bíblico de Romanos 15:7 nos oferece a deixa para nos encorajar no exercício espiritual da acolhida: “Portanto, acolham-se uns aos outros, assim como Cristo acolheu vocês, para a glória de Deus.” Ela se manifesta em gestos concretos de hospitalidade, escuta, cuidado e defesa da dignidade humana. Floresce quando comunidades se tornam lugares de pertencimento e de reencontro com a sua fé. Floresce quando ninguém precisa esconder quem é para participar da vida da Igreja. Floresce quando aprendemos a caminhar juntos, reconhecendo a presença de Deus na vida umas das outras.

Neste Mês do Orgulho, renovamos nosso compromisso com uma Igreja que acolhe, acompanha e celebra a diversidade de seus membros. Uma Igreja que busca refletir o amor de Cristo, que rompeu barreiras do preconceito, aproximou pessoas excluídas e anunciou a boa notícia de que todos e todas têm lugar à mesa do Reino.

Que possamos continuar construindo comunidades onde a fé caminhe lado a lado com a dignidade humana, e onde a diversidade, acolhida com respeito e amor, seja sinal da graça abundante de Deus.

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TEXTO: esta bela reflexão foi compartilhada conosco pelo reverendo Arthur Cavalcante, da Diocese Anglicana de São Paulo – IEAB.