Consta na história da Paróquia Anglicana São Felipe de Goiânia/GO que, desde os idos de 2005, já se conversava sobre a instituição de uma pastoral que acolhesse e trabalhasse com as Diversidades.
O periódico on-line de Três Lagoas “PerfilNews” traz em sua matéria de 05/12/2007 a seguinte manchete: Paróquia Anglicana implanta pastoral homossexual [sic].
O título hoje nos causa estranheza, mas para aquela época tratava-se de uma revolução na acolhida da comunidade LGBTQIAPN+ dentro dos espaços de fé. A matéria, na íntegra, pode ser lida acessando este link.
A iniciativa foi do então Pároco, reverendo Elias Mayer Vergara: “Não podemos receber Jesus em nossas vidas se não estivermos prontos para receber os pobres e marginalizados deste mundo”. Lembrou também o Rev. Vergara que a criação da Pastoral (lá em 2007) foi um desdobramento da resolução da Conferência de Lambeth, de que as igrejas episcopais do mundo escutassem os homossexuais e buscassem entender a sua realidade.
A Pastoral da Diversidade, como passou a ser chamada posteriormente, esteve atuante na paróquia por vários anos. No entanto, pela própria dinâmica da comunidade e também das pessoas que estavam em comunhão, as atividades foram se tornando menos frequentes.
Atenta à realidade local e estando no país que mais mata LGBTQIAPN+ no mundo, a Paróquia São Felipe, desde 2019, fez várias reflexões quanto ao retorno efetivo dos trabalhos da Pastoral da Diversidade. Retomada que seria numa perspectiva ainda mais ampliada: perceber, reconhecer em cada pessoa humana, na diversidade de se apresentar, de sentir e de expressar em suas sexualidades, suas formas de viver e vivenciar a fé, a manifestação plena do amor de Deus.
Neste intuito, a Junta Paroquial, além de consentir com a reativação da Pastoral das Diversidades, vem apoiando, participando e promovendo as atividades para que mais pessoas sejam alcançadas e façam parte deste trabalho.
“Não queremos catequizar ou doutrinar ninguém! Nosso principal objetivo é que as pessoas LGBTQIAPN+ de nossa cidade e arredores saibam que existe em Goiânia uma comunidade de fé que as acolhe, promove e respeita. E se elas desejarem participar, estaremos abertas para a acolhida e construção coletiva das #DiversidadesPASF”, afirma o vocacionado e seminarista anglicano, Rayner Alves, incentivador da retomada da Pastoral.
Ainda na perspectiva da garantia de direitos e das redes de apoio, a #DiversidadesPASF tem por objetivos o diálogo e construção com demais Igrejas, vivências religiosas, movimentos, organizações sociais e partidos políticos, a fim de garantir uma atuação não somente no âmbito da fé, mas também nos âmbitos sociopolítico, econômico, etc.

