Reverendo Magela é nomeado para Diretoria de Diversidade e Inclusão Social do Tocantins

O Governo do Tocantins oficializou a nomeação do reverendo Magela Neto para a Diretoria de Diversidade e Inclusão Social, reafirmando o compromisso do Tocantins com a promoção de direitos e a inclusão de grupos historicamente vulnerabilizados.
Reverendo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), vinculado à Diocese Anglicana de Brasília (DAB), Magela tem trajetória marcada pela atuação junto às populações mais vulneráveis, articulando escuta qualificada, cuidado pastoral e incidência cidadã. 
Reconhecido por seu trabalho na defesa da justiça social, dos direitos humanos e da saúde pública (com destaque para a coordenação da Casa A+), assume o cargo com a missão de fortalecer o diálogo com os movimentos sociais, articular políticas públicas e transformar diversidade e dignidade em ações concretas no âmbito do serviço público.
Fizemos uma entrevista com ele para entender a abrangência da nomeação, perspectivas e aprendizados.
Confira:

1. Reverendo, essa nomeação não é fruto do acaso. Ela reflete anos de dedicação a essa causa. Pode nos contar um pouco da sua trajetória até aqui?

Minha trajetória nasce no chão da vida real, no cuidado com pessoas que, historicamente, foram colocadas em situação de vulnerabilidade ou até mesmo de invisibilidade. Ao longo dos últimos anos, tenho atuado de forma contínua na promoção dos direitos humanos, na saúde pública e, sobretudo, na defesa da dignidade de populações vulnerabilizadas, sempre com atenção à inclusão, à equidade e ao acesso às políticas públicas.
Esse compromisso se materializa tanto no trabalho comunitário quanto na articulação em rede com movimentos sociais, sempre guiado por uma lógica de serviço que carregamos no coração: escutar, acolher, organizar e encaminhar soluções. É uma caminhada que reúne fé e compromisso público — sem confundir as esferas. Trata-se de uma fé que se expressa em responsabilidade social, na defesa da vida, no enfrentamento das desigualdades e no fortalecimento das políticas de Estado.
Essa nomeação reconhece esse percurso e, ao mesmo tempo, amplia o horizonte de possibilidades, permitindo transformar experiências práticas já vivenciadas na Casa A+ em ações de gestão pública com resultados concretos, especialmente no campo da diversidade e da inclusão social. Aprendi, ao longo desse caminho, que inclusão não é discurso: é fluxo, é orçamento, é agenda, é presença e é entrega.
Reunião híbrida do Conselho LGBTQIAPN+ do Tocantins
Reunião híbrida do Conselho LGBTQIAPN+ do Tocantins

 

2. O apoio da Diocese Anglicana de Brasília tem sido fundamental nesse processo. De que forma o bispo diocesano tem se envolvido nesses trabalhos?

O apoio da Diocese Anglicana de Brasília e do nosso bispo diocesano, bispo Maurício Andrade, tem sido fundamental porque não é apenas simbólico, mas pastoral, institucional e estratégico. Sempre houve um incentivo claro para que a Igreja fosse uma presença pública responsável, apoiando iniciativas de promoção dos direitos humanos, do acolhimento e do diálogo com a sociedade e com o poder público.
Na prática, isso se expressa em um engajamento permanente e em uma legitimidade institucional que fortalece as ações sociais e amplia as possibilidades de parcerias. O bispo Maurício tem contribuído para que nossa atuação seja coerente com uma espiritualidade comprometida com a dignidade humana, marca da missão da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
Essa postura de fortalecer pontes, e não muros, faz toda a diferença quando lidamos com pautas sensíveis, que exigem maturidade, capacidade de mediação e diálogo. O bispo tem sido esse farol que ajuda a manter o foco no essencial: servir pessoas, promover dignidade e construir diálogos.

 

Uma vida dedicada ao serviço - Registro de uma visita ao Ambulatório Trans
Uma vida dedicada ao serviço – Registro de uma visita ao Ambulatório Trans

 

3. Quais serão suas atribuições no cargo e de que modo isso impacta positivamente os trabalhos da Casa A+?

Minhas atribuições estão ligadas ao fortalecimento das políticas públicas de diversidade e inclusão social no âmbito do Estado, sempre com planejamento, coordenação e articulação intersetorial. Isso envolve a organização de uma agenda de ações estruturantes, o apoio à execução de atividades e parcerias e, sobretudo, a garantia de que as pautas de direitos humanos avancem com método, metas e entregas concretas.
A diretoria já possui frentes importantes de atuação, como a promoção e defesa de direitos, atividades públicas informativas, campanhas e cooperações — por exemplo, ações relacionadas à liberdade religiosa, à população em situação de rua, ao enfrentamento da violência e às articulações institucionais próprias da gestão pública.
É importante afirmar com clareza que as instituições são distintas: a Casa A+ segue com sua autonomia e missão própria. O impacto positivo ocorre porque, ao fortalecer as políticas públicas no Tocantins, contribuímos para melhorar o ambiente institucional, ampliar o diálogo, integrar serviços e abrir portas para cooperação dentro das regras do poder público. Quando o Estado melhora seus fluxos e sua escuta, toda a rede melhora — e quem ganha com isso é a cidadã e o cidadão.

4.Quais serão as frentes de trabalho da Diretoria daqui para frente?

A Diretoria atuará em diversas frentes, de forma contínua. 
A primeira é a promoção e defesa dos direitos humanos, com encaminhamento de demandas de violações de direitos, fortalecimento das redes de proteção, criação de fluxos e protocolos para respostas mais assertivas do Estado, além da mediação de conflitos e da prevenção da violência e da discriminação.
O segundo eixo é a política LGBTQIA+, com foco na promoção da diversidade, no fortalecimento de políticas de cidadania, na proteção de direitos, no enfrentamento à LGBTfobia e na articulação entre conselhos, movimentos sociais e os programas do Governo do Estado.
O terceiro eixo envolve a política para pessoas com deficiência, trabalhando acessibilidade e inclusão, enfrentando barreiras físicas, comunicacionais, atitudinais e institucionais, e integrando áreas como educação, saúde, assistência social, trabalho e mobilidade, em diálogo constante com os municípios.
O quarto eixo é a promoção da igualdade racial, enfrentando o racismo institucional, promovendo ações afirmativas, educação em direitos e articulação com comunidades, lideranças, populações quilombolas e juventudes, com foco em políticas de reparação e garantia de direitos.
Por fim, atuaremos na promoção da diversidade religiosa e na construção de culturas de paz, por meio do diálogo inter-religioso, campanhas públicas e ações de formação, garantindo o respeito à liberdade religiosa e fortalecendo a participação da sociedade civil. Também investiremos em educação em direitos e comunicação pública, utilizando datas estratégicas como pontos focais de mobilização e ação governamental.
Nossa expectativa é que, nos primeiros 100 dias de gestão, possamos colocar essa agenda em movimento e contribuir para que o Tocantins avance como um estado mais justo, seguro, inclusivo e livre das desigualdades — esse é o compromisso assumido quando aceitei essa missão.