Política de Justiça de Gênero da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Com alegria, gratidão e esperança, apresentamos neste mês de março de 2026, em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres, a Política de Justiça de Gênero da IEAB – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Recebemos este momento como sinal da graça de Deus que nos conduz na construção de uma Igreja cada vez mais fiel ao Evangelho da justiça, da dignidade e do amor.

A elaboração deste documento nasce como resposta concreta ao Planejamento Estratégico da IEAB para o período de 2024–2027. Em 2024, foi constituído um grupo de trabalho que deu início a esta caminhada, reunindo representantes das mulheres por meio da União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil, das clérigas e da comunidade LGBTQIAPN+. Foi um processo marcado pela escuta, pelo diálogo responsável, pela oração e pelo compromisso com a vida plena para todas as pessoas.

Desde os primórdios da presença anglicana no Brasil, o trabalho das mulheres sempre foi reconhecido e valorizado. Contudo, sabemos que a ocupação de espaços de liderança e decisão ocorreu de maneira gradual e, muitas vezes, desafiadora. A ordenação feminina, conquistada em 1984 após intensos processos de reflexão, debates e enfrentamentos, tornou-se marco histórico e testemunho de coragem profética. De igual modo, o reconhecimento do direito ao casamento de casais homoafetivos expressa o compromisso da IEAB com a dignidade humana e com a ampliação da compreensão do amor de Deus, que não faz acepção de pessoas.

Ao longo das últimas décadas, a IEAB tem buscado a paridade em Conselhos, Comissões e Grupos de Trabalho, tanto no âmbito provincial quanto diocesano e paroquial. Também tem desenvolvido ações significativas no enfrentamento à violência de gênero e na promoção da igualdade de direitos. No entanto, sentíamos a necessidade de reunir princípios, diretrizes e compromissos em um documento orientador que expressasse institucionalmente nossa fé encarnada na prática da justiça.

O material inicialmente construído pelo grupo de trabalho foi posteriormente compilado e aprofundado pela Comissão Nacional de Diaconia (CND) e pela Coordenação do SADD, retornando ao grupo para nova revisão e ampliação da escuta. O texto foi então submetido ao Conselho Executivo, que o aprovou em fevereiro de 2025, reconhecendo sua relevância e urgência para a vida e missão da Igreja.

(leia a Política na íntegra clicando aqui)

Esta Política de Justiça de Gênero nasce como instrumento pastoral, profético e pedagógico. Não é apenas um conjunto de normas, mas um chamado à conversão institucional e pessoal. É uma ferramenta para promover inclusão, equidade e participação, enfrentando desigualdades, preconceitos e violências baseadas no gênero. É expressão concreta do nosso compromisso batismal de “respeitar a dignidade de todo ser humano”.

Afirmamos, contudo, que este é um documento vivo. Sua vitalidade dependerá do uso consciente, da reflexão constante e da aplicação fiel em nossas comunidades. Esperamos que cada paróquia, missão, diocese, comissão e ministério o acolha como base e orientação para seu trabalho, permitindo que ele inspire práticas transformadoras e relações mais justas.

Reconhecemos também que este é o primeiro passo formalizado em forma de política. Como toda construção humana, é um texto ainda incompleto. Por isso, deverá ser revisado a cada dois anos — ou sempre que necessário — à luz das experiências, desafios e novos aprendizados que surgirem no caminho.

Que esta Política seja semente de justiça, instrumento de cura e sinal do Reino de Deus entre nós. Que o Espírito Santo nos conduza para que, como Igreja, sejamos cada vez mais comunidade de igualdade, respeito e amor, onde todas as pessoas possam florescer segundo os dons que Deus lhes concedeu.

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